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EGFR-Tki de 3.ª geração demonstra elevada eficácia como terapêutica adjuvante em doentes com CPNPC EGFR-mutado

EGFR-Tki de 3.ª geração demonstra elevada eficácia como terapêutica adjuvante em doentes com CPNPC EGFR-mutado

Durante a Sessão Plenária da ASCO, que decorreu dia 31 no período da tarde, o Prof. Doutor Roy S. Herbst apresentou os primeiros resultados do estudo de fase III ADAURA, que avaliou a eficácia de osimertinib como terapêutica adjuvante em doentes com Carcinoma do Pulmão de Não Pequenas Células (CPNPC), EGFR-mutado, em estadio IB-IIIA, após ressecção completa do tumor.

“Com mais de 1,7 milhões de mortes anualmente, o cancro do pulmão é a causa líder de morte por cancro a nível mundial. O cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) representa 85% de todos os tipos de cancro do pulmão, estimando-se que 30% dos doentes apresentem doença ressecável no diagnóstico. Contudo, apesar de ressecável, os doentes acabam por recidivar”, introduziu o médico oncologista do Yale School of Medicine, New Haven, Connecticut Estados Unidos da América.

A quimioterapia baseada em cisplatina é recomendada em doentes com CPNPC estadio II-IIIA e alguns doentes selecionados com estadio IB da doença. No entanto, a sobrevivência global (OS) desta terapêutica é de apenas 5% aos 5 anos, com toxicidade associada.

 

Como explicou o oncologista, “de um modo geral a taxas de recidiva ou morte após cirurgia e quimioterapia adjuvante permanecem elevadas nos vários estadios de doença, sendo que a taxa de recidiva aos 5 anos é de: 45% doentes em estadio IB, 62% doentes no estadio II e 76% doentes no estadio III”. Por isso, sublinhou que “precisamos claramente de novas terapêuticas”.

 

 Racional para avaliação de osimertinib como terapêutica adjuvante em doentes com CPNPC estadio precoce

 

Os inibidores de tirosina cinase (Tki) EGFR têm redefinido o tratamento de CPNPC EGFR-mutado em estadio avançado (metastático) ao longo dos últimos 20 anos. Recentemente, o osimertinib – um EGFR-Tki de 3.ª geração – apresentou resultados significativos que lhe deram aprovação acelerada como agente de 1ª linha para tratamento de CPNPC metastático.

 

“No ensaio clínico ADAURA, o osimertinib foi movido do contexto de 1ª linha terapêutica para o tratamento adjuvante de doentes em estadio precoce da doença, com o objetivo de avaliar o benefício clínico neste subgrupo de doentes”, defendeu.

 

ADAURA é um ensaio de fase III, multinacional, aleatorizado, com dupla-ocultação, que envolveu doentes com CPNPC EGFR-mutado em estadio IB, II ou IIIA. Os doentes, estratificados de acordo com o estadio da doença ou mutação EGFR, foram aleatorizados (1:1) para receber 80mg osimertinib 1 vez/dia vs. placebo 1 vez/dia, durante 3 anos.

 

A sobrevivência livre de doença (DFS) em doentes com CPNPC estadio II-IIIA constitui o endpoint primário, sendo avaliado como endpoint secundário a DFS na população geral (estadio IB/II/IIIA), DFS aos 2, 3, 4 e 5 anos, OS, assim como o perfil de segurança e tolerabilidade do fármaco e a qualidade de vida. O tratamento continua até ocorrer recidiva da doença ou atingir a DFS.

  

“Os resultados foram muito melhores que o esperado”

 

De acordo com o oncologista, os resultados do endpoint primário são “extraordinários”, na medida em que “pela primeira vez, observou-se uma distância significativa entre as curvas DFS de osimertinib vs. placebo, a favor de osimertinib, com uma redução de 83% risco de recidiva”, observando-se “uma DFS mediana de 20,4 meses placebo vs. não atingida para osimertinib”.

 

Da mesma forma, os resultados da DFS da população geral (IB/II/IIIA) – que o investigador considera um “endpoint secundário-chave do ensaio clínico” - demonstraram curvas separadas com uma redução de 79% do risco de recidiva, “um valor menor porque muitos doentes estão na fase precoce, mas, ainda assim, um estudo muito positivo”.

 

No que respeita a análise DFS por subgrupo, sublinhou-se “que todos os subgrupos analisados beneficiaram com a terapêutica com osimertinib”, afirmou o especialista, frisando que “o benefício é independente da mutação EGFR e de haver história prévia de terapêutica com quimioterapia adjuvante”.

 

“Osimertinib apresenta melhoria estatisticamente significativa e clinicamente relevante da DFS em doentes CPNPC EGFR-mutado, estadio IB/II/IIIA”

 

O perfil de segurança e tolerabilidade foi consistente com o perfil previamente estabelecido para osimertinib, sendo a duração média de exposição ao fármaco de 22,3 meses osimertinib vs. 18,4 meses placebo.

 

A toxicidade dos efeitos adversos do grupo de doentes sob osimertinib foi na sua maioria de grau 1 e 2, surgindo com maior frequência diarreia (46%) e pele seca (23%). A percentagem de efeitos adversos de grau 3-4 é muito baixa (1%-2%), e “não foram reportadas mortes por eventos adversos no braço osimertinib”, sublinhou o investigador.

 

Adicionalmente foram reportados “casos de doença pulmonar intersticial em 10 doentes (3%) no braço osimertinib, todos de baixo grau; e prolongamento QTc em 22 doentes (7%) no braço osimertinib vs. 4 doentes (1%) no braço placebo, também de baixo grau”, enumerou.

 

“Osimertinib apresenta melhoria estatisticamente significativa e clinicamente relevante da DFS em doentes CPNPC EGFR-mutado, estadio IB/II/IIIA”

Resumindo a sua exposição o investigador afirmou que “osimertinib é a primeira terapêutica-alvo a demonstrar, num ensaio global aleatorizado, uma melhoria da DFS estatisticamente significativa e clinicamente relevante, em doentes com CPNPC EGFR-mutado, em estadio IB/II/IIIA”.

 

“No geral, houve uma redução de 79% de risco de recidiva da doença ou morte com osimertinib. A taxa de DFS aos 2 anos foi de 89% osimertinib vs. 53% placebo, uma melhoria que é independente de terapêutica prévia com quimioterapia adjuvante”, acrescentando que “o perfil de segurança e tolerabilidade foi consistente com o perfil previamente estabelecido para osimertinib e a duração media de exposição a osimertinib foi de 22 meses”.

 

Desta forma, o oncologista sublinhou que “osimentinib providência elevada eficácia, e representa uma mudança na prática terapêutica para doentes com CPNPC EGFR mutado estadio IB/II/IIIA após ressecação do tumor”.

 

Numa reflexão final, o Prof. Doutor Roy S. Herbst afirmou que “estes fármacos de 3ª geração com perfil de tolerabilidade favorável constituem as melhores terapias quando introduzidos precocemente no curso da doença, na medida em que ao prevenir o aparecimento de metástases, os doentes beneficiam de mais anos de vida e sobretudo, de melhor qualidade de vida”, concluiu..

terça-feira, 02 junho 2020 20:41
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