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O impacto da telemedicina nos outcomes reportados por doentes geograficamente distantes dos Centros de Saúde Oncológicos

O impacto da telemedicina nos outcomes reportados por doentes geograficamente distantes dos Centros de Saúde Oncológicos

O estudo de Gadzinski AJ et al., apresentado na forma de resumo na ASCO 2020 (e14154) mostrou que a telemedicina para os doentes que vivem em zonas rurais ou fora do estado de Washington, possibilita uma poupança considerável de tempo e dinheiro. A convite da News Farma, o Dr. Mário Fontes e Sousa analisou o estudo, realçando as suas mais-valias e limitações.

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Nos EUA, quase 20% da população vive em comunidades rurais e esses indivíduos enfrentam barreiras geográficas e financeiras para aceder aos cuidados de saúde.


O estudo prospetivo de Gadzinski AJ et al., realizado na Universidade de Washington, em Seattle, comparou os outcomes relatados pelos doentes do interior do estado de Washington ou que viviam fora de Washington, após a realização da consulta presencial ou por telemedicina na Clínica de Urologia da Universidade de Washington.


Entre junho de 2019 e fevereiro de 2020, Gadzinski AJ et al. convidaram 291 doentes elegíveis para participarem a preencher o questionário pós-consulta, dos quais 140 doentes (48%) preencheram o questionário: 136 doentes tiveram consultas presenciais e 7 consultas por telemedicina.


No seu comentário ao estudo, o Dr. Mário Fontes e Sousa, oncologista do Hospital CUF Infante Santo, defendeu que “tudo o que sejam barreiras de acesso aos cuidados da doença oncológica devem ser obviamente não só identificados, mas lidados e combatidos”, razão pela qual considera este estudo de enorme relevância, apesar de apresentar algumas limitações.


O especialista sublinhou que teria sido importante os investigadores terem especificado o tipo de telemedicina usado – “a telemedicina pode incluir vários tipos de medicina à distância” – e terem explicado o porquê de menos de metade dos doentes terem completado o estudo – “perceber o porquê da não adesão e saber o que é que os doentes referem como a principal limitação da teleconsulta (se é um problema tecnológico, se não têm acesso fácil a estas vias de comunicação ou se há outro tipo de limitações ou problema) é extremamente importante”.


Outra limitação do estudo consistiu no facto de não detalhar o grau de satisfação dos doentes relativamente à teleconsulta: “seria imprescindível ter o feedback dos doentes relativamente ao grau de confiança de utilizarem esta metodologia para a sua consulta”, realçou.


Na sua opinião, o estudo concentrou-se no impacto financeiro relativamente às despesas com viagem e logística (tabela 1): “os autores reforçam que houve cerca de 13% dos doentes que, para poderem ter uma consulta pessoal tiveram que despender mais de 1000 dólares, que é cerca de 900 euros”.

 

Tabela 1. Análise dos dados do questionário preenchido pelos doentes

 

A conclusão do estudo foi que a telemedicina providencia um meio de cuidados oncológicos que elimina a carga significativa da viagem associadas às consultas clínicas presenciais.

 

sábado, 30 maio 2020 19:47
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